Colunista: Os tipos de taças para vinho

Daniella Romano 1
* Daniella Romano, sommeliére internacional, da empresa Aroma dos Vinhos.

As taças têm grande importância na degustação. Há uma taça correta para cada tipo de vinho que irá “jogá-lo” no local certo da boca para que suas características organolépticas (qualidades, aromas e sabores) sejam ressaltadas.

Para que você entender a dimensão da coisa, a famosa e respeitada revista WineSpectator, publicou uma história verídica que aconteceu em 1989. Na época Greg Riedel herdeiro e produtor ( ainda desconhecido nos EUA)  de uma fábrica de copos austríaca, encontrou-se com Robert Mondavi, um dos maiores produtores americano de vinhos, para apresentar-lhes suas taças. Ele queria convencer Mondavi da importância das taças corretas numa degustação. Este, diante dos argumentos de Riedel disse: “jovem, eu nunca ouvi tamanha bobagem”… Sem pronunciar palavra, Greg Riedel serviu 4 vinhos diferentes da vinícola de Mondavi, primeiro nas taças usadas regularmente por eles e depois nas taças Riedel apropriadas para cada tipo de vinho.

E Mondavi  incrédulo confessou que finalmente podia reconhecer todas as qualidades de seus vinhos!

Agora que você já entendeu, fique de olho nestas dicas:

– Segure a taça pela haste, evitando passar calor ao vinho.
– Dê preferência às de cristal, que tem micro poros que quebram as moléculas do vinho e ajudam a liberá-las para que você sinta os aromas mais intensamente.
– A transparência também é importante para que se possa observar todas as características do vinho.
– Jamais encha a taça. O correto é servir 1/3 de vinho e deixar espaço para liberar os aromas.
– Para os tintos usamos taças mais ‘bojudas’.

ta01
Tintos aromáticos com poucos taninos (Borgonha)
O formato de pêra: bojo largo, corpo afunilado e boca larga, ajudam a exalar as qualidades aromáticas em toda sua complexidade.

ta2

Tinto com muitos taninos (Bordeaux)
O copo deve ter um bojo mais largo e ser alongado; a boca estreita permite que o vinho se expanda.
*Tanino: corresponde a um grupo de compostos fenólicos que tem como principal característica a afinidade em se ligar às cadeias de proteínas e precipitá-las.

ta3

Branco com pouca acidez (Borgonha)
Copo mais baixo, boca e bojo mais largos, mais fácil de girar, permite que os aromas se expandam.

 

campanhe

Branco com muita acidez (Champanhe)
Corpo longo, bojo e boca mais estreitos. Mantém o gás carbônico por mais tempo no copo.

 

ta deg


Taça degustação (padrão Iso/ Inao, que possuem medidas específica )

Copo padrão internacional utilizado em degustações, serve para todos os tipos de vinho.
*ISO (International Standard Organization)
* Inao (Institute National des Appellations d’Origine)


dec


Decanter

Peça de cristal ou de vidro, normalmente bojuda na base e afunilada na parte superior, destinada a decantar o vinho.

Decantamos o vinho tinto para separar as partículas que podem ter se formado ao longo do envelhecimento ou para abrir seus aromas.

  • Após aberto, o vinho precisa de ar para oxigenar e desenvolver seus aromas plenamente. Com o passar do tempo, a oxigenação vai se transformando em oxidação que é um processo negativo, tendente a degenerar o vinho.
  • Portanto, precisamos usar de bom senso e de cautela para saber que vinhos devem ser decantados.
  • Normalmente se decantam vinhos que já estão há um longo período na garrafa, e aqui estamos falando de vinhos mais complexos, que necessitam uma ajuda para abrir seus aromas. Não é necessário decantar os jovens, que oxidariam muito rápido e perderiam seus aromas.
  • Se estiver diante de um vinho muito potente e que ainda está fechado, ou seja, sem oxigenação, com os aromas muito mascarados, a decantação pode acelerar a sua liberação.
  • Não se recomenda decantar vinhos brancos.

O processo da decantação

Lave o decanter com água morna, e nele despeje uma pequena quantidade do vinho a ser decantado, girando-o cuidadosamente de modo que o interior do recipiente seja inteiramente ungido pela bebida, que será então descartada.  Concluída esta operação, que se denomina “Avinhamento”, passa-se para a segunda etapa.

Se você estiver em local à meia luz, poderá fazer um ritual muito bonito:

–  Acenda uma vela para iluminar a garrafa.
–  Segure a garrafa com a mão direita e o decanter com a esquerda (os canhotos podem inverter).
–  Despeje o vinho lenta e constantemente no decanter, para evitar que os depósitos se movam
–   Deixe a garrafa na horizontal e quando a luz da vela mostrar que os sedimentos estão no ombro da garrafa, interrompa a decantação.
–  Apague a vela com os dedos umedecidos para evitar que o seu cheiro se propague.

Sutil e simbólico, este ritual é também prático, pois a luz da vela ajuda a perceber a hora de cessar a transferência do vinho para o decanter. Mas você pode fazê-lo  sem as velas, ficando atento aos sedimentos para que não sejam transportados para o decanter.

Feito isso, aguarde de 20 minutos a 1 hora, dependendo da complexidade do vinho, e sirva. Para ter certeza, após 30 minutos sirva uma dose pequena e prove o vinho. Se estiver bom sirva aos convidados; caso contrário, aguarde mais um pouco.

Cheers!

Foto: reprodução

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s